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segunda-feira, 28 de fevereiro de 2022

A eleição vai ser decidida na vida como ela é - O Estado de S. Paulo

J. R. Guzzo

Não há crise com crescimento, bolsa subindo e dólar baixo, assim como não há salvação para nenhuma reeleição com a economia indo para o fundo da lagoa; mais do que nunca, vale olhar para o que está acontecendo, e não para o que dizem a você

O mês de fevereiro vai chegando ao fim e, agora, faltam apenas sete meses inteiros até as eleições presidenciais de outubro. O tempo voou; eis aí o Brasil, mais uma vez, às vésperas de escolher seu presidente para os quatro anos que começam em 2023. Está na hora de ir anotando com muita atenção, assim, o que vai acontecer não nos palanques, na discurseira e no noticiário político – Doria vai desistir? Moro vai liderar “o centro”? Alckmin vai ser o vice de Lula? – e sim na vida real da economia.

A esse propósito, esqueça a maçaroca de algarismos que jogam todo dia em cima do público, as previsões dos economistas e as mesas redondas depois do horário nobre; raramente sai alguma coisa útil disso aí tudo. O que interessa, pois é isso que realmente vai decidir a eleição presidencial, é o resultado visível da atividade produtiva – aquele que cada um pode verificar por conta própria, no seu mundo, no seu dia a dia e na sua realidade.

Nessas coisas não adianta nada, de um lado ou de outro, torcer, e muito menos trocar realidades por desejos
A performance vai ser o que ela é – e não o que os economistas, a mídia ou os candidatos querem que seja. A aposta do governo é num ano com mais produção, mais emprego, mais investimento privado, e com menos inflação, menos juro alto e menos fábrica fechada.  
 
A aposta da oposição é num desastre o maior cabo eleitoral que poderia ter. Se a economia for bem, o atual presidente é um candidato muito forte. Se for mal, ou muito mal, a força eleitoral passa para o outro lado. [DEUS é brasileiro e um processo de desenvolvimento, crescimento sustentável, inflação baixa está se iniciando de forma irreversível.]
O certo é o seguinte: não há crise com crescimento, bolsa subindo e dólar baixo, como não há salvação para nenhuma reeleição com a economia indo para o fundo da lagoa.
 
J. R. Guzzo, colunista - O Estado de S. Paulo
 
 

segunda-feira, 19 de julho de 2021

Comandante da Aeronáutica é alvo de críticas de ministros no STF [opinião, cada um tem a sua]

A conduta do comandante, muito política para o posto que ocupa, prejudica a imagem das Forças Armadas, avaliam ministros ouvidos pelo Radar

Não foi apenas Jair Bolsonaro, com suas grosserias contra o ministro Luis Roberto Barroso, que irritou os ministros do STF na semana passada. Integrantes da Corte também estão insatisfeitos com o lado “tuiteiro” do comandante da Aeronáutica, brigadeiro Carlos Almeida Baptista Junior, que anda, na visão dos ministros da Corte, avançando em temas políticos em algumas falas.

Numa entrevista ao Globo, por exemplo, Baptista disse que a nota da Defesa, sobre “não aceitar” críticas aos militares envolvidos em supostos casos de corrupção no governo, era um “alerta”. Ele também curtiu postagens de apoiadores de Bolsonaro que pediam uma “faxina” no país.

Para um importante ministro da Corte ouvido pelo Radar, [detalhe: tem ministro do STF mais desimportante do que um outro = seu par?como se avalia a importância de um ministro do STF? antigamente eram todos iguais em importância? por exemplo, a conduta do comandante prejudica a imagem das Forças Armadas. “O que esse comandante da aeronáutica quer dizer? Vai pegar em armas? Se Bolsonaro não conseguiu dar golpe em 2019, que era um presidente forte. Agora, que é fraco e já não governa – é governado pelo Congresso – é que não vai conseguir”, diz o ministro. [em nossa modesta opinião, um golpe - não estamos defendendo golpe ou dizendo que vai acontecer um - para ocorrer independe da força do presidente junto ao Congresso, junto ao STF.]

Outros ministros manifestam pensamento semelhante, ao avaliar que a postura do chefe da Aeronáutica contribui para o clima de polarização eleitoral que o presidente tenta criar. “As Forças Armadas não precisam de cabo eleitoral”, ironiza um magistrado.

Radar - VEJA


quinta-feira, 19 de novembro de 2020

A onda acabou - William Waack

O Estado de S. Paulo 

Presidente é, agora, a perfeita expressão do sistema que diz desprezar

A causa do fracasso eleitoral [sic]  de Jair Bolsonaro nas eleições municipais é simples de ser resumida. Ele interpretou de maneira equivocada a onda disruptiva que o levou ao Palácio do Planalto em 2018. Achou que tinha sido o criador desse fenômeno político quando, na verdade, apenas surfava a onda.

O fato é que essa onda, depois de arrebentar o alvo primordial (as forças políticas ao redor do PT), se espraiou, perdeu sentido e direção, dividiu-se entre seus vários componentes antagônicos. Esvaziou-se, com Bolsonaro achando que apenas falando, apenas no gogó, manteria o ímpeto de uma onda dessas – um fenômeno político raro.

Na verdade, a principal lição oferecida a Bolsonaro pelas eleições do último domingo é a do primado da organização, capilaridade e peso das agremiações partidárias no horizonte político mais extenso. Pode-se adjetivar como se quiser o conjunto de partidos que elegeu o maior número de prefeitos e vereadores ou colocá-los onde se preferir no espectro político. O denominador comum entre eles é a existência de estruturas profissionais voltadas para a política.

É exatamente o que Bolsonaro desprezou logo que assumiu. Trata-se de um dos aspectos mais relevantes para ilustrar o fato de o presidente eleito com 57 milhões de votos há apenas dois anos ter um desempenho tão pífio como cabo eleitoral. Todo dirigente populista, não importa a coloração política, cuida de criar um movimento para chamar de seu – com seus emblemas, palavras de ordem (ou “narrativa”), mitos e, sobretudo, uma estrutura razoavelmente hierárquica e definida, com sede e endereço.

Embora tivesse à disposição da noite para o dia um grande número de deputados federais e seus correspondentes recursos públicos, o surfista da onda política atuou para implodir o partido pelo qual se elegeu e não conseguiu colocar de pé nada parecido a uma agremiação consolidada com um mínimo de coesão. É bem provável que Bolsonaro tenha sido vítima do mito que criou para si mesmo (e dá provas quase diárias de acreditar nisso piamente): a de ter sido escolhido por Deus e beneficiado por um milagre (sobreviver à facada) para conduzir o povo do Brasil.

Com tal ajuda “de cima”, é só esperar as coisas acontecerem. Ocorre que mesmo os homens tornados mitos por desígnio divino precisam, como dizem os alemães, do Wasserträger”, aquele que vai trazer a água. E isto não se consegue apenas com redes sociais. Foi outro aspecto interessante das eleições de domingo: a demonstração dos limites de atuação das ferramentas digitais, que adquiriram relevância permanente como instrumentos de mobilização, sem serem capazes por si só de garantir predominância na luta política.

Passada a onda disruptiva (alívio para alguns, desperdício de oportunidade histórica para outros), o que se pode prever para as próximas eleições, em relação às quais Bolsonaro sacrificou qualquer outro plano? Se ele foi capaz, em 2018, de vencer o “establishment” e o jeito convencional de fazer política, ainda por cima dispondo de menos recursos que seus adversários “tradicionais”, em 2022 Bolsonaro só tem chances dentro do que ele mesmo chamou de “sistema”. 

Do qual, ironicamente, o “outsider” acabou se tornando uma perfeita expressão: vivendo para o próximo ciclo frenético de manchetes, sem um plano ou estratégia de longo prazo, cuidando em primeiro lugar de seus interesses familiares e paroquiais, cultivando popularidade com programas assistenciais e preocupado acima de tudo em ficar onde está. É onde a onda nos deixou.

William Waack, colunista - O Estado de S. Paulo

 

segunda-feira, 17 de agosto de 2020

Desespero na “resistência democrática” com alta na popularidade de Bolsonaro

Por Rodrigo Constantino


Bolsonaro é pop. E quem diz isso é o DataFolha! Sua aprovação subiu e sua rejeição despencou. A notícia é desesperadora para quem tem investido tanto contra o presidente e o governo. Tentaram de tudo: usaram a pandemia como palanque para acusar Bolsonaro de "genocida", contaram com Sergio Moro e Mandetta "lacradores" disparando contra o ex-chefe, usaram o tempo nobre da imprensa para pintar o homem como pior do que o vírus chinês. Deu tudo errado!

Mas não pensem que a "resistência democrática ao fascismo" vai rever sua estratégia - ou checar suas premissas. Não há chance de isso acontecer. Vão é dobrar a aposta, o que será o principal fator de reeleição de Bolsonaro. Seu melhor cabo eleitoral é justamente essa patota apavorada e expondo cada vez mais a própria hipocrisia.A narrativa da turma é que tudo se deve ao coronavoucher, ou seja, Bolsonaro é o novo Lula e ponto final. O discurso tangencia de leve a verdade, mas está longe de ser toda ela. O que esse pessoal não quer enxergar é que o maior cabo eleitoral de Bolsonaro é e sempre foi a mídia, a hipocrisia escancarada de quem tenta de tudo para detonar o governo lançando mão de um duplo padrão podre.

Com esses adversários, tudo que Bolsonaro precisa fazer é se manter razoavelmente calado e deixar que seus detratores se enforquem. O desespero está batendo forte, e com isso eles apelam ainda mais, o que os afunda mais ainda e ajuda Bolsonaro.
Eis, por exemplo, o método MBL de "raciocínio": 
1. vire um antibolsonarista histérico que considera até Paulo Guedes pior do que o PT; 
2. Passe o dia destilando ódio a quem vê virtudes no governo, acusando de "vendido" quem não for igualmente fanático contra o governo; 
3. Apoie até a esquerda radical e a mídia para isso; 
4. Quando der "ruim", culpe o povo "idiota" e o compare a porcos.


Em seguida, basta Bolsonaro mostrar quem são os "democratas" que se unem para combater seu "fascismo":

Enquanto isso, deixe a imprensa, em pânico, convocar um youtuber idiota que imita focas como um ícone da "resistência", dando holofote a ele em tudo que é veículo "importante", inclusive internacional. Eis o efeito prático:

O que mais Bolsonaro precisa fazer? Ah sim: poderia entender que seu silêncio, às vezes, vale ouro. Aquelas saidinhas no "cercadinho" eram um fiasco. O deputado Paulo Eduardo Martins tem um bom conselho a dar:

Diante disso tudo, até a turma da Globo terá de admitir, com bastante constrangimento, a realidade inegável:

Os inimigos do governo foram com muita sede ao pote, escancararam demais da conta seu oportunismo canalha nessa pandemia. Claro que isso teria um efeito bumerangue! Só quem ainda não entendeu nada do fenômeno que levou Trump, Bolsonaro e outros ao poder, e resultou no Brexit, poderia achar que tanta canalhice do establishment ficaria impune.

E claro, não podemos fechar sem o melhor cabo eleitoral de Bolsonaro: o  STF! Quem precisa de defensores quando aquele ministro que considera o presidente um "genocida" e um "nazista" resolve fazer uma "live" com ninguém menos do que o líder do MST, um movimento criminoso, invasor de propriedades, que atacou inclusive a propriedade de uma ministra do próprio Supremo?!

Comentei rápido sobre o caso no 3em1 desta quinta, para fechar o programa:
Sim, o Brasil cansa, não é sério, e o STF menos ainda. Com esse establishment, com esses adversários, Bolsonaro é reeleito se basicamente ficar imóvel. É uma turminha totalmente sem noção da realidade!

Rodrigo Constantino, jornalista - Gazeta do Povo - Vozes


terça-feira, 23 de junho de 2020

O “crime” de Sérgio Moro: ter a dignidade que outros não tiveram - Sérgio Alves de Oliveira

Sem dúvida o juiz brasileiro que mais se dedicou ao combate à corrupção em todos os tempos foi Sérgio Moro, então juiz titular da 10ª Vara Federal de Curitiba, concentrando, por prevenção de juízo,a maioria dos processos criminais provenientes da chamada Operação Lava Jato, desencadeada pela Polícia e Ministério Público federais. Com seu incansável trabalho contra a corrupção, levado a efeito no período governado pelo PT/MDB, de 2003 a 2018, certamente esse juiz se constituiu, mesmo que indiretamente, no maior “cabo eleitoral” da campanha presidencial do “capitão” Jair Bolsonaro, que se autodeclarava o opositor Nº 1 do PT/MDB, e que acabou vencendo o pleito eleitoral de outubro de 2018,com boa margem de vantagem. É por isso que em grande parte Bolsonaro deve a sua eleição a Sérgio Moro.

[O excelente desempenho do ex-juiz Moro não pode ser olvidado, apesar de falhas por ele cometidas não foram ofuscadas por aquele comportamento.
- não tinha, ou perdeu, o senso, a noção, de disciplina.
Ao se tornar ministro de um Presidente da República, qualquer cidadão deve ter presente, que integra uma orquestra da qual o maestro é o Presidente.
Caso não concorde com a regência, particularmente, procure o maestro e explique.
Se este concordar com seus argumentos, os ajustes serão feitos e tudo segue em frente.
Não concordando, resta ao músico, aceitar e se adequar ou pedir para sair.
- Moro tentou dar uma de Mandetta, adaptar o presidente da República ao seu conceito de certo e errado, de pode não pode, impondo limites ao comando presidencial - se o presidente manda no ministro, podendo demiti-lo, óbvio que manda em subordinado ao ministro.
- a segunda falha, não a última, foi de sair 'cuspindo no prato que comeu'.
Quanto ao seu alegado capital de votos, se ele conseguir não se queimar politicamente, esperamos que ele enfrente o presidente Bolsonaro em 2002, Não vencerá e talvez nem vá para o segundo turno.]

Apostando na boa imagem do Juiz Moro perante a opinião pública, “independente” do PT,nada mais natural que acabasse surgindo um convite para que Moro integrasse o Governo de Bolsonaro, assumindo o cargo de Ministro da Justiça e Segurança Pública, o que se consumou, visto que esse seria um nome que só teria a “somar”,com grande prestígio popular do homem que teve a coragem de condenar e mandar para as grades o “deus” da esquerda ,o ex-Presidente Lula da Silva, que mais tarde, dentro daqueles “esquemões” que correm no STF, acabou sendo solto pelos juízes “apadrinhados” do seu partido, o PT, e outros que aderiram. Olhando nos pormenores a atual composição do Supremo,a gente fica até em dúvida se o Ministro “.....” , segundo o jurista Saulo Ramos, prestes a se aposentar, seria o “decano” do STF, ou o decano seria a “cara” própria desse tribunal.

Embora se compreenda perfeitamente a ambição natural do Juiz Moro de finalizar a sua magnífica carreira na magistratura como Ministro do STF - e duvido que não seja a meta de qualquer outro juiz- deveria ele estar consciente que nesse ambiente ele jamais se sentiria muito à vontade, confortável, visto as evidentes objeções que antecipadamente já surgiram ao seu nome nesse “covil”, onde ele passaria a ser um “peixe-fora-d’água”, e seria forçado a fazer “política”, não mais “justiça”, como ele estava acostumado.

Mas a gestão de Moro no Ministério acabou sendo sabotada e boicotada. Os projetos contra a corrupção que teve a iniciativa acabaram virando em leis “pró-corrupção”. E o Presidente Bolsonaro, tentando “salvar” o seu Governo, cedeu totalmente à sua oposição política no Congresso, formada pelos políticos “lacaios” da esquerda e do “centrão”,”atropelando” todo o trabalho moralizador de Moro.

Essa desculpa “esfarrapada” que Moro teria “traído” o Governo, ou o Presidente Bolsonaro,é pura conversa para boi dormir. Bolsonaro forçou o pedido de demissão de Moro,não respeitando a promessa de dar-lhe autonomia no combate à corrupção. A “gota d’água” deu-se com a demissão do Diretor da Polícia Federal,que Moro considerava o homem “chave” na sua proposta de combate ao crime na política.

Portanto, na “guerra” entre Moro e a corrupção ,esta representada pela esquerda e pelo “centrão”, Bolsonaro ,no caso como “juiz”,decidiu pela vitória da corrupção,traindo não só Sérgio Moro,como também os seus “babacas” (inclusive “jo”) 57 milhões de eleitores. Portanto não foi Moro quem traiu Bolsonaro, como assegura tanto a mídia da esquerda/centrão ,quanto a mídia “bolsonarista” (de fidelidade canina). Foi Bolsonaro quem traiu Moro, depois de usá-lo para fins eleitorais, e depois jogá-lo fora , como absorvente feminino usado. Portanto, o “pedido de demissão” de Moro ,na verdade uma demissão,foi planejado,conduzido ,nos mínimos detalhes, destinado à uma pessoa de caráter, algo cada vez mais raro na política. Mas o que tem sido realmente lamentável e insuportável é o tratamento absolutamente desrespeitoso e tendencioso dado por certa mídia e políticos que “comeram e viraram o cocho” de Sérgio Moro.

Sérgio Alves de Oliveira - Advogado e Sociólogo 



segunda-feira, 11 de março de 2019

O pastelão da oposição

Participação de políticos em piada de ator global revela oposição ingênua e sem rumo

Como se não bastasse um governo alucinado, a oposição também migrou para o mundo do delírio.  

Ex-presidentes, líderes parlamentares e dirigentes de partidos de esquerda tentaram fazer uma brincadeira e declararam apoio ao ator José de Abreu como presidente autoproclamado do Brasil.  A piada começou como uma crítica ao venezuelano Juan Guaidó, que fez o mesmo em seu país para tentar derrubar Nicolás Maduro. O ator global gostou do personagem e transformou a esquete em um palanque contra Jair Bolsonaro. Os políticos que entraram na onda talvez não tenham percebido, mas são estrelas de uma comédia pastelão barata.

Abreu começou a convocar figuras da esquerda nas redes sociais para seu governo fictício —e elas responderam. Chamada para o Ministério de Energia Convencional e Alternativa, Dilma Rousseff pediu que ele conduzisse o Brasil “com perseverança e olhando para nossa gente”.  Na partilha de cargos, Lula recebeu o Ministério dos Justos. Da prisão, mandou um bilhete ao ator declarando ser seu cabo eleitoral.
Além dos petistas, Jandira Feghali (PC do B) chegou a publicar uma foto de um evento convocado por Abreu em seu desembarque no aeroporto do Rio, na sexta (8). “O presidente chegou!”, exclamou.

O que deveria ser um protesto bem-humorado revelou uma oposição ingênua e sem rumo.  Convidado pelo global para ser o ministro fictício das Relações Institucionais, o deputado Marcelo Freixo (PSOL) respondeu:
“Kkkkkk”. Criticado por um seguidor, argumentou que o humor “também desestabiliza a tirania”. E completou: “A ação da esquerda no Congresso não tem sido pequena, seja justo”.  Até agora, quem mais incomodou o governo na Câmara e no Senado foi o centrão, que conseguiu emparedar Bolsonaro.  Enquanto isso, a oposição parece não ter ideia de como fazer oposição. Rachada entre siglas que disputam protagonismo, a esquerda mostrou que só consegue se unir no campo da ficção.

Folha de S. Paulo


quinta-feira, 25 de outubro de 2018

Cabo eleitoral de Bolsonaro, Lula lava as mãos

Veio à luz uma nova carta atribuída a Lula. Nela, o presidiário petista revela-se desnorteado: “Fico pensando, todos os dias: por que tanto ódio contra o PT?'' Prestes a entrar para a história como principal cabo eleitoral de Bolsonaro, Lula escreve como se não tivesse nada a ver com o que chama de “aventura fascista”. Ainda não se deu conta de que nada, no seu caso, tornou-se uma palavra que ultrapassa tudo.

Lula acha que fez muito bem ao país e à sua gente. “Tenho consciência de que fizemos o melhor para o Brasil e para o nosso povo.” Ainda não enxergou no espelho um culpado pelo antipetismo que impulsiona Bolsonaro. Lula avalia que o fato de ter sido tão extraordinário “contrariou interesses poderosos dentro e fora do país.” Os contrariados “tentam destruir nossa imagem, reescrever a história, apagar a memória do povo”, queixou-se.

Para o missivista de Curitiba, o impeachment de Dilma foi culpa do alheio. “Juntaram todas as forças da imprensa, com a Rede Globo à frente, e de setores parciais do Judiciário, para associar o PT à corrupção. Foram horas e horas no Jornal Nacional e em todos os noticiários da Globo tentando dizer que a corrupção na Petrobras e no país teria sido inventada por nós.” Não ocorreu a Lula a hipótese de o PT ter sido associado à corrupção pelo excesso de roubo.

Condenado em primeira e segunda instância, Lula já teve pedidos de liberdade negados pelo STJ e também pelo STF. Pesquisa do Datafolha constatou que 59% dos brasileiros acham que o pajé do PT deve permanecer preso —51% na tranca da Polícia Federal, 8% em prisão domiciliar. Mas o DataLula, movido por autocritérios, chegou conclusões diferentes: “Todos sabem que fui condenado injustamente, num processo arbitrário e sem provas, porque seria eleito presidente do Brasil no primeiro turno.”  Lula precisa encontrar o sósia que transformou o antipetismo numa força política imbatível na temporada eleitoral de 2018. Está entendido que alguém muito parecido com o líder máximo do PT plantou nos seus dois mandatos as raízes do mensalão e do petrolão. É evidente que um sósia de Lula privatizou a Petrobras, entregando-a ao conluio que reuniu burocratas políticos e empreiteiros numa pilhagem jamais vista.

Não há dúvida: um impostor vendeu Dilma ao eleitorado como supergerente impecável. É óbvio que o embusteiro, fazendo-se passar por Lula, aceitou que empreiteiras financiassem com verbas sujas seus pequenos confortos —o tríplex na praia, a reforma no sítio.

A tese da existência de um sósia de Lula é, por ora, a mais confortável para o petismo. A alternativa seria admitir que tudo o que está na cara não passa de uma conspiração da lei das probabilidades contra um inocente. Um inocente que, tendo se convertido injustamente em cabo eleitoral de Bolsonaro, lava as mãos. E tenta sumir com o sabonete. [Lula tentando sumir com o sabonete nos deixa com a tentação de apresentar sugestões - mas, temos dois leitores a respeitar.]
“Por que tanto ódio contra o PT?”, pergunta Lula aos seus botões, que não respondem, pois desenvolveram uma ojeriza por petistas. “Se há divergências entre nós, vamos enfrentá-las por meio do debate, do argumento, do voto”, sugere o presidiário, recusando-se a ver os detalhes: as divergências que elevaram a rejeição ao PT já não comportam a partículase”. Elas existem e são profundas. Hospedeiro da revolta, Bolsonaro dá de ombros para o debate. Ainda assim, um pedaço do eleitorado se dispõe a votar nele.

Ora, a exemplo de Haddad, o capitão chegou ao segundo round pelo voto. E as pesquisas indicam que é pelas urnas que a “aventura fascista” pode ser alçada ao Planalto no domingo. Se quiser, Lula pode continuar tentado ajustar os fatos à sua filosofia de para-choque de caminhão. Mas o melhor seria localizar rapidamente o sósia que deixou o PT sem para-choque e sem nexo. Cartas escritas com o propósito de fazer a plateia de boba já não encontram material.

Blog do Josias de Souza

LEIA TAMBÉM:  Hipótese de prisão após mandato inquieta Temer

 
 

terça-feira, 25 de setembro de 2018

[Para alguma coisa Haddad, o poste-laranja de Lula tem que servir] = Haddad virou maior cabo eleitoral de Bolsonaro

Na nova pesquisa do Ibope, Haddad foi o único candidato que se mexeu fora da margem de erro. Cresceu três pontos, de 19% para 22% das intenções de voto. Consolidou-se na vice-liderança. Está mais próximo do líder Bolsonaro, que permaneceu estacionado na marca de 28%. A dinâmica da disputa transformou o poste [laranja] de Lula no maior cabo eleitoral do capitão.

Mantendo-se a curva ascendente de Haddad, eleitores que não desejam a volta do PT ao Planalto hoje abrigados sob os guarda-chuvas sem pano de Alckmin (8%), Amoêdo (3%), Dias (2%) e Meirelles (2%)— podem ser contaminados pela febre dos eleitores picados pelo mosquito do voto útil. Isso os levaria a reforçar as fileiras de Bolsonaro. Imaginam que votando nele, evitam o retorno do petismo, que consideram um mal maior.

Não seria absurdo se, na outra ponta, pedaços do eleitorado de Ciro (11%) e de Marina (5%) caíssem no colo de Haddad. Seriam picados pelo mesmo tipo de mosquito. Com a diferença de que dariam utilidade ao voto entregando-o ao substituto de Lula. Não morrem de amor por Haddad, mas têm ojeriza por Bolsonaro.

No momento, metade do eleitorado está fora da polarização hospital versus cadeia. As próximas pesquisas sinalizarão o tamanho da disposição dessa massa de votos para migrar em direção aos polos. Ironicamente, ocupam os extremos da polarização os dois candidatos mais rejeitados da temporada: 44% dos eleitores afirmam que jamais votariam em Bolsonaro; .30% declaram que não optariam por Haddad de jeito nenhum. O próximo presidente será eleito pela exclusão, não pela preferência.

Blog do Josias de Souza

"... 

 Numa contramão trafega o passado pré-1964, comandado por uma gente que fica com raiva quando é contrariada. Noutra contramão desliza o presente pós-2003, dirigido por pessoas que não ficam com raiva, ficam com tudo da prataria do palácio aos contratos da Petrobras. 

..."

MATÉRIA COMPLETA: Sucessão tem duas contramãos, sem terceira via

 

quinta-feira, 6 de setembro de 2018

No peito de Fachin ainda bate o coração do cabo eleitoral de Dilma



Avulsas do Plenário

O ministro, que tem julgado com sensatez os casos vinculados à Lava Jato, tentou transformar um comitê da ONU na quinta instância da Justiça brasileira

Na sessão do Tribunal Superior Eleitoral que sepultou a farsa da candidatura de Lula, Edson Fachin invocou uma recomendação de dois integrantes de um comitê da ONU para afirmar que o ex-presidente presidiário é inelegível, mas tem o direito de tentar eleger-se. Esse voto esquizofrênico avisa que no peito do ministro que tem julgado com sensatez os casos vinculados à Operação Lava Jato ainda bate, de vez em quando, o coração do jurista que foi cabo eleitoral de Dilma Rousseff.

O Fachin ministro acha que Lula merece uma temporada na cadeia. O Fachin simpatizante do PT (e do MST) acha que Lula merece uma temporada nos palanques. Tomara que nos próximos julgamentos prevaleça a versão ajuizada de Edson Fachin. Caso contrário, o ministro entrará para a História pela porta dos fundos como aquele doutor que tentou transformar o comitê de Direitos Humanos da ONU na quinta instância da Justiça brasileira.


Última cartada

A disputa interna no PT está mais acirrada do que se pensa. Por incrível que pareça, há quem defenda o boicote às eleições


A realidade deve se impor nos próximos dias, e a máquina propagandística do PT terá que carregar Haddad ao segundo turno. Por enquanto, essa confusão toda não o tem beneficiado. Ele cresceu dentro da margem de erro na pesquisa do Ibope divulgada ontem, e Ciro é quem mais ganhou o espólio do lulismo órfão de seu líder. Com isso, empatou com Marina, enquanto Alckmin moveu-se pouco, dentro da margem de erro. Marina manteve sua posição, mas foi a única que não cresceu, o que acende uma luz amarela.

O dado importante é que a rejeição a Bolsonaro aumentou muito, desafiando as avaliações técnicas de que um candidato com 40% ou mais de rejeição não se elege. Bolsonaro está bem acima dessa marca, e a rejeição, crescendo. Pode significar que suas chances de vencer no segundo turno estão diminuindo. [ou exatamente o contrário, seja por Bolsonaro vencer no primeiro turno - lembrem-se que na pesquisa Ibope ele lidera com praticamente o dobro da segunda colocada (22% dele contra 12% da evangélica pró-aborto e maconha, desde que um plebiscito autorize  - é apavorante, mas foi a tática chavista de resolver tudo por plebiscito que acabou com a Venezuela.]
A estranha sensação de tentativa de golpe judicial ficou no ar com a sucessão de recursos que a defesa do ex-presidente Lula fez nas últimas 24 horas contra a sua inelegibilidade decretada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), baseados na tese de que a recomendação do Comitê de Direitos Humanos da ONU tem que ser obedecida, dando a ele o direito de concorrer à Presidência da República mesmo preso em Curitiba.
Os advogados de defesa foram ardilosos ao encaminhar o recurso de tal maneira que ele caiu automaticamente com o ministro responsável (prevento) pela Lava-Jato, Edson Fachin. Isso porque ele foi o único voto favorável à tese da defesa, surpreendendo seus colegas de tribunal no TSE. [a defesa de Lula mesmo quando é ardilosa, o que não significa necessariamente competência, perde - Fachin negou o pedido e mandou par ao arquivo.]  
 
Como é impensável que o voto e o recurso estivessem previamente combinados entre as partes, a artimanha não terá efeito. O ministro Edson Fachin provavelmente vai continuar defendendo sua posição no relatório que encaminhará o caso à análise do plenário, mas nenhum de seus pares considera possível que venha a tomar uma decisão monocrática, concedendo a liminar a Lula. Embora as pressões estejam grandes.

Se isso acontecesse, o ex-presidente estaria em condições de se candidatar mesmo de dentro da cadeia. Mas há duas pedras no tortuoso caminho escolhido pela defesa do ex-presidente. A tese do ministro Fachin foi derrotada por 6 a 1 na reunião da madrugada de sexta para sábado passados, o que fragiliza uma eventual decisão solitária do perdedor para liberar a campanha de Lula. Além disso, seus dois colegas de STF, ministra Rosa Weber e ministro Luís Roberto Barroso, discordaram de sua posição, o que faz com que o julgamento do plenário comece com 2 a 1 contra Lula.

Há também a decisão do plenário do TSE, na mesma sessão, de que candidato impugnado não está sub judice e, portanto, recursos apresentados depois da negativa do registro da candidatura não significam a liberação do condenado para concorrer enquanto aguarda as decisões do TSE ou do STF, como acontecia anteriormente, dando margem a muita incerteza jurídica.

Na mesma decisão, o TSE determinou que o nome e a foto de Lula não podem aparecer nas urnas eletrônicas na eleição de outubro, e o prazo para apresentar o candidato substituto foi reduzido. Pela legislação eleitoral, os partidos têm até o dia 17 deste mês para mudar a chapa. O PT recebeu dez dias de prazo para indicar seu candidato a presidente.

A disputa interna no PT para definir a estratégia nesses próximos dias, até o dia 11, está mais acirrada do que se pensa. Por incrível que pareça, há quem defenda o boicote às eleições presidenciais. Isso porque o prazo do PT, que podia ir até além do dia 17 com esses recursos infindáveis, até conseguir colocar seu nome na urna eletrônica a partir do dia 20, encurtou-se tremendamente.  O STF já rejeitou habeas corpus e liminares, e é de quase zero a chance de a maioria do plenário mudar de posição. A única chance de Lula deixar de ser ficha-suja, além de uma improvável liminar com base no Comitê dos Direitos Humanos da ONUque o novo presidente do Superior Tribunal (STJ), João Otávio de Noronha, classificou de “absurdo” e “opinião de pareceristas” —, é que o julgamento do TRF-4 seja anulado, o que também é improvável.

Esses recursos são a última cartada de Lula. Ou melhor dizendo, devem ser a última cartada. Do jeito que as coisas vão, é sempre arriscado acreditar na letra fria da legislação.

Merval Pereira - O Globo