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quarta-feira, 23 de agosto de 2023

O PT está quebrando a Petrobras. De novo - Revista Oeste

Carlo Cauti

A nova política de preços da estatal repete os erros cometidos pelas gestões passadas do PT e ameaça quebrar pela segunda vez uma das principais empresas do país


Luiz Inácio Lula da Silva coloca as mãos no petróleo durante visita ao Navio Plataforma FPSO, em Angra dos Reis, no Rio de Janeiro (28/10/2010) | Foto: Wilton Junior/Estadão Conteúdo/AE
 “A nova política de preços da Petrobras passou no teste.” Essa foi a explicação que o presidente da petrolífera, Jean Paul Prates, deu à imprensa ao comentar a nova política de preços da estatal. Para o ex-senador petista, a empresa “não está perdendo dinheiro”, mesmo depois de ter abandonado a paridade com as cotações internacionais dos combustíveis (PPI), que havia sido adotada em 2016.

Os balanços da Petrobras, contudo, mostram que a realidade é outra. No segundo trimestre de 2023, a empresa perdeu quase 50% do seu lucro. Essa destruição de valor ainda foi contida pelo fato de que a empresa mudou sua política de preços somente em maio, no meio do trimestre. Caso contrário, o resultado teria sido um prejuízo retumbante. O primeiro depois de quatro anos de lucros.

Sinal claro de como a nova gestão petista da Petrobras está levando a empresa, mais uma vez, em direção ao desastre. 
Uma história que o Brasil conhece muito bem. 
A irracional política de preços imposta por Dilma Rousseff, somada a investimentos insensatos e à roubalheira generalizada, levou a estatal à beira da falência.

Gestão temerária do PT
Desde o começo do primeiro mandato,
Dilma aumentou sensivelmente os gastos públicos. A alta da inflação foi a consequência natural. Na tentativa de conter a alta dos preços, o governo decidiu utilizar a Petrobras como instrumento impróprio de política fiscal, comprimindo artificialmente os preços dos combustíveis.

O Executivo impôs que a Petrobras importasse combustíveis do exterior pagando a cotação internacional, mas vendendo-os internamente a um preço mais baixo. 
O prejuízo foi imediato, amargado nas contas da empresa, que começaram rapidamente a se deteriorar.
 
(...)

“Isso não faz nenhum sentido”, rebate Rodrigues. “Querem deixar complexo algo muito simples para tentar justificar o injustificável. A empresa vai voltar a registrar prejuízos se mantiver os preços internos mais baixos do que os internacionais. Simples assim. A Petrobras se tornou a única companhia petrolífera do mundo que torce para que a cotação internacional do petróleo não suba. Pois, a cada dólar a mais, ela aumenta seu vermelho no balanço”.

Segundo dados da Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis (Abicom), até meados de agosto, os preços praticados pela Petrobras estavam defasados em cerca de 25% no caso da gasolina e 30% no caso do diesel.

A margem da Petrobras passou de cerca de 27% para 8%. A empresa deixou de ganhar dinheiro. E isso pode provocar consequências jurídicas internacionais. Como já ocorreu no passado.
As ações da estatal são listadas na Bolsa de Valores de Nova York. E, durante as passadas gestões petistas, investidores insatisfeitos processaram a Petrobras, ganhando ressarcimentos bilionários. 
Em 2018, a Justiça norte-americana multou a empresa em US$ 1,78 bilhão por enganar os investidores com sua contabilidade criativa. Essa parte da história também poderá se repetir.
 
Tarifaço dos combustíveis
No último dia 14 de agosto, veio a surpresa:
a Petrobras anunciou um tarifaço. 
Os preços da gasolina foram elevados em 16,2%; e os do diesel, em 26%. A bomba explodiu no colo dos consumidores finais, que, mais uma vez, pagaram a conta de uma gestão temerária. “O pior é que eles nem queriam aumentar os preços”, explica Evaristo Pinheiro, presidente da Refina Brasil, associação que reúne refinarias particulares. “Foram obrigados pelo efeito imediato dessa nova política de preços: o desabastecimento.”
 
(.....)
O tarifaço foi tamanho, que vai impactar a inflação brasileira nos próximos meses. Podendo colocar em xeque os planos do Banco Central (BC) de reduzir a taxa básica de juros (Selic). 
 Mesmo assim, não foi suficiente para realinhar os preços praticados pela Petrobras com o resto do mundo. 
A defasagem continua existindo para a gasolina e o diesel, respectivamente, em 15% e 10%. E a tendência das cotações internacionais é de alta. 
Segundo o banco norte-americano Goldman Sachs, elas chegarão a US$ 100 no fim de 2024, aumentando a pressão sobre a estatal brasileira. 
Ou seja, mais aumentos à vista. 
 
Megalomania e gastança
Assim como na década passada
, as gestões petistas não limitam o desastre à política de preços. Elas transbordam na megalomania dos projetos que, segundo eles, a Petrobras deveria tocar para ser uma verdadeira “campeã nacional”.

O governo anunciou o novo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), [PACO = Conto do Paco.]  prevendo gastos de R$ 1,7 trilhão em quatro anos. Dinheiro que o Executivo não tem, já que este e o próximo ano têm agendados dois rombos das contas públicas superiores a R$ 130 bilhões cada. Lula então decidiu que quem vai pagar a maior parte dessa conta será a Petrobras.

Sozinha, a estatal vai bancar a gastança com R$ 600 bilhões. Um montante tão astronômico que supera até mesmo o valor de mercado da Petrobras, que está em cerca de R$ 400 bilhões. Impossível de pagar sem sérias consequências para a empresa.

Mas matemática nunca foi um empecilho para os projetos petistas. E a Petrobras terá que financiar os projetos do governo, dos quais o principal é a recriação, pela enésima vez, de uma indústria naval brasileira. Mais do que um projeto, um fetiche. Que reaparece em todos os governos petistas. Para dar, pontualmente, errado. Pactual. “Vai ficar para a próxima. A minha geração já pagou essa conta.” Ledo engano.

Há poucos dias, Prates anunciou in pompa magna que a Petrobras vai “lotar” novamente os estaleiros do Brasil para construir embarcações. Gasto previsto: R$ 300 bilhões. Alguém vai ter que pagar essa conta. Assim como a política de preços, os resultados dos gastos na indústria naval já fazem parte da história: desperdício gigantesco de dinheiro público sem nenhum retorno. O caso mais icônico dessa saga foi o petroleiro João Cândido. Passou para a história como o “navio que não conseguia navegar”.

Construído no estaleiro Atlântico Sul, em Pernambuco, o petroleiro tinha que se tornar símbolo da nova indústria naval brasileira, reconstruída pelo PT.  
Até o nome fazia parte desse simbolismo, sendo dedicado ao marinheiro negro que liderou a Revolta da Chibata. 
Fracassou completamente. A entrega atrasou mais de 20 meses e custou R$ 533 milhões. Quase o dobro do orçamento previsto. 
Mas o pior foi que, após a entrega, se descobriu que a embarcação apresentava inúmeros defeitos e não tinha condições para navegar. Foi basicamente reconstruída. A Petrobras chegou a multar o estaleiro pelo atraso em um valor que nunca foi divulgado
O desastre foi tamanho, que até a Samsung, líder mundial em construção naval, decidiu abandonar a empreitada.
 
(...)

Refinarias jamais acabadas e inúteis
Além da indústria naval,
o governo ordenou que a Petrobras voltasse a investir nas refinarias de Abreu e Lima (PE) e Comperj (RJ). Outros desastres retumbantes.

Abreu e Lima deveria custar R$ 12 bilhões,
superou os R$ 100 bilhões e se tornou a refinaria mais cara do mundo. A construção, que teve início em 2003, nunca foi concluída. Tornou-se um dos epicentros dos casos de corrupção descobertos pela Lava Jato e um vexame internacional para a Petrobras e para o Brasil.
Mesma história do Comperj, que deveria ter ficado pronto em 2011, com um orçamento de US$ 6,1 bilhões. Nunca foi concluído, e seu custo estimado ultrapassa os US$ 50 bilhões. “Essas duas refinarias não são apenas casos de desperdício de dinheiro público. São também insensatez econômica. Caso elas se paguem um dia, isso vai acontecer depois de 2050. O mundo será completamente diferente. Teremos outra matriz energética”, diz Pinheiro. “O petróleo não terá tanta importância. Ou seja, teremos mais um problema.”

A prova de que a atuação da diretoria petista é dolosa, e não culposa, é a liberação para que as empreiteiras envolvidas em escândalos de corrupção possam voltar a fazer negócios com a Petrobras. 

(...)

Na Bolívia, a Petrobras foi expropriada em 2006, quando Evo Morales mandou o exército invadir as refinarias
A Venezuela deu calote na Petrobras na refinaria Abreu e Lima. 
O mesmo ocorreu com a Argentina, que há poucos dias informou que não conseguiria pagar a energia fornecida pela estatal brasileira.

Nenhum desses projetos foi econômico. Muito menos viável. Foram iniciados por razões ideológicas e nunca completados. Ou terminaram em catástrofe. Como todos os outros das passadas gestões petistas da Petrobras. Se a ideia era trazer o socialismo para a petrolífera, o governo está tendo êxito. Mas Karl Marx já alertava, em 1852: “A história se repete, a primeira vez como tragédia e a segunda como farsa”.

ÍNTEGRA DA MATÉRIA

Leia também “Petrobras: o PT volta ao ataque”


 

Coluna Carlo Cauti, Revista Oeste


terça-feira, 11 de abril de 2023

O balanço dos primeiros 100 dias do governo Lula: nenhum resultado, só mentiras e apego ao passado - J. R. Guzzo

Gazeta do Povo - Vozes

Não há nada tão fácil de fazer quanto o balanço dos “primeiros 100 dias do governo Lula”: após três meses de funcionamento, tudo o que o atual governo se mostrou objetivamente capaz de apresentar ao público foi um comercial de propaganda, pago com o dinheiro dos seus impostos, como se estivesse anunciando um detergente ou um pacote de margarina. Mais nada? Mais nada, absolutamente nada – e, ainda por cima, copiou o anúncio que o governo de Michel Temer fez para comemorar o seu segundo aniversário.

É, mais uma vez, a fotografia exata da ação de Lula, do PT e da esquerda quando estão no governo: como não fizeram nada de útil até agora, e não têm nenhuma possibilidade prática de apresentar algum projeto coerente para qualquer coisa que seja, mentem. 
É sua política de governo. Em vez de resultados, servem uma realidade que não existe; é muito mais fácil.


    A prioridade absoluta de Lula é manter o Brasil preso no passado – a única possibilidade de sobrevivência política para ele e para o PT.

Lula não tem a menor realização, mesmo modesta, nesses três meses de atividade; é pouco tempo, claro, e ninguém poderia cobrar obras prontas num período tão curto, mas o problema é que ele não mexeu um milímetro em nada que pudesse melhorar qualquer coisa neste país. Ao contrário: tudo o que fez foi demolir, ou ameaçar de demolição, as coisas positivas que encontrou ao assumir o governo.

Liquidou o novo marco do saneamento, que abria o setor para o investimento privado – exige que 100 milhões de brasileiros continuem sem esgoto e 35 milhões sem água, na dependência das esmolas do “Estado”. Liquidou o novo ensino médio, essencial para a melhoria da necessidade mais desesperada da sociedade brasileira – um ensino público um pouco melhor do que se tem hoje. Liquidou a Lei das Estatais, que tenta defender as empresas do Estado da pilhagem feita pelos políticos. Tudo isso eram leis, aprovadas pelo Congresso Nacional após anos a fio de debate; com um mero ato de vontade, Lula jogou tudo no lixo. Sua prioridade absoluta é manter o Brasil preso no passado – a única possibilidade de sobrevivência política para ele e para o PT.

A política externa dos primeiros três meses de governo Lula é um insulto público às democracias, à liberdade e à lei internacional
Na última vez que abriu a boca – depois de abrir os portos do Brasil a navios de guerra do Estado terrorista do Irã – foi para dizer que a Ucrânia tem de entregar parte do seu território à Rússia; ele decidiu que os ucranianos não podem “querer tudo”.
 
A política econômica não existe. Tudo o que se fez até agora foi amontoar papelório incompreensível e inútil sobre um “arcabouço fiscal” que não estabelece uma única medida de ordem prática e se resume a uma série de devaneios a respeito do futuro remoto.  
A política ambiental levou a Amazônia a ter, em fevereiro último, o pior índice de queimadas de toda a série histórica
O desemprego volta a aumentar. Há férias coletivas na indústria automobilística
A Bolsa de Valores, há três meses, sofre um processo de destruição em massa de riquezas. 
O agronegócio, o único setor da economia brasileira que funciona, é sabotado todos os dias pelo governo.
 
Pior que tudo: em lugar de propostas decentes, ou de qualquer solução, para qualquer coisa, Lula joga na “taxa de juros” a culpa de tudo o que vai mal no Brasil de hoje. Pronto, está tudo resolvido: se os juros caíssem, todos os problemas estariam resolvidos para sempre, e o seu governo seria o melhor do mundo. 
É o governo através da mentira oficial e permanente, como exposto acima – os juros, em que Lula não manda, são o que segura hoje a inflação. Isso é muito ruim, diz ele. 
O presidente diz que a meta atual para a inflação está ”errada”; quer mais inflação, e não menos, porque acredita que imprimir dinheiro é criar “desenvolvimento” econômico. 
Qual será a inflação que ele gostaria: 100% ao ano, como na Argentina que tanto quer copiar?

Esses são os primeiros três meses. Imaginem os primeiros três anos.

J.R. Guzzo, colunista - Gazeta do Povo - VOZES


segunda-feira, 6 de janeiro de 2020

Balanço - Denis Lerrer Rosenfield

O Estado de S.Paulo

A pauta reformista do governo Bolsonaro é um prolongamento da de seu antecessor

O primeiro ano do governo Bolsonaro caracterizou-se pelo enfrentamento com adversários, tidos por inimigos, testando o limite das instituições democráticas. A partir do momento em que o confronto político se tornou o eixo das ações, a prática destas, própria da democracia, passou necessariamente a segundo plano. Nesse sentido, há no atual governo um pendor autoritário que contrasta fortemente com seu não autoritarismo na esfera das relações econômicas, onde propugna uma redução do papel do Estado. Autoritarismo de um lado, liberalismo de outro, o que faz seu próprio projeto reformista do ponto de vista econômico terminar por se contaminar por essa sua contradição interna.

A concepção do político orientadora de suas ações pode ser retraçada ao teórico alemão Carl Schmitt, apoiador do nazismo e admirador de Lenin e Mao no pós-guerra, ao definir o campo do político como o da distinção entre amigos e inimigos, não podendo haver entre eles negociação e composição, o que seria próprio da via democrática, mais especificamente, parlamentar. Note-se, a esse respeito, que o governo Bolsonaro não preza e não tem articulação política, baseada na negociação, laboriosa e dura, com a Câmara dos Deputados e o Senado. Muitas vezes esse problema se traduz pelo fato de os políticos serem desconsiderados, supostamente, por serem “corruptos, quando, na verdade, o problema consiste na composição partidária, tendo como objetivo a aprovação de medidas provisórias, projetos de lei e emendas constitucionais.

Apesar das aparências, não se pode dizer que tal caracterização do político seja algo próprio da extrema direita, quanto mais não seja pelo fato de Schmitt conferir-lhe validade universal. A questão reside em que ela é utilizada tanto por setores de direita quanto de esquerda. Lula e o PT empregaram a mesma distinção ao opor “conservadores e progressistas”, “nós contra eles”, num decalque da luta até a morte, segundo a formulação marxista, entre “burgueses e proletários”, entre “revolução e instituições democráticas”. Na cena internacional, hoje há schmittianos de direita e esquerda!

Seria tentado a dizer que o voto do sim em Jair Bolsonaro foi também um voto do não à concepção autoritária do PT. Quando os brasileiros foram às urnas em 2018, eles expressaram claramente um não ao petismo, à corrupção e ao desastre econômico que foi o governo Dilma. Disseram não ao acirramento das relações políticas, que atingiram até amizades e núcleos familiares. Os eleitores não disseram sim à substituição de um tipo de política por outro da mesma espécie com sinal trocado. Em certo sentido, pode-se dizer que Bolsonaro estava certo, conforme a lógica eleitoral, em utilizar essa distinção, pois ao se apresentar como o anti-PT, ele o considerou o inimigo a ser abatido numa contenda democrática. Seu uso intensivo das redes sociais, que se prestam particularmente a esse tipo de embate, foi-lhe da maior valia. Seu sucesso mostra a correta estratégia adotada. Contudo não necessariamente um instrumento empregado numa luta eleitoral tem a mesma validade na arte de governar. São campos distintos.

Prova disso, a posição do governo Bolsonaro em relação ao governo Temer. Sob a ótica das eleições, Bolsonaro fez como se Temer não existisse, centrando todas as suas baterias nos governos petistas, como se eles ainda governassem. Tinha-se a impressão de que Lula-Dilma-PT ainda habitavam os Palácios do Planalto e da Alvorada. O candidato fez uma ponte de mais de dois anos, omitindo-o. Entretanto, no que diz respeito à pauta reformista do atual governo, ela é uma prolongação da anterior. Do ponto de vista do confronto político, o bolsonarismo adota posição contra o PT e a esquerda em geral; do ponto de vista das reformas, ele se considera seguidor da pauta liberal do governo Temer.

Neste primeiro ano, o grande feito do atual governo foi a aprovação da reforma da Previdência, preparada e amplamente discutida pelo governo anterior. A assinatura do acordo União Europeia-Mercosul foi outro feito digno de menção, embora a política de confronto adotada na esfera ambiental já o esteja contaminando. A reforma trabalhista do governo anterior está também tendo continuidade via medida provisória que amplia algumas das mudanças feitas, apesar de estar também ainda em discussão parlamentar. O programa de concessões e privatizações é, da mesma maneira, um prolongamento dos projetos anteriores, com destaque para o Programa de Parcerias de Investimentos (PPI). O problema aí consiste em que a política do embate, ao adentrar o Congresso e a sociedade em geral, termina por prejudicar o liberalismo apregoado na esfera das relações econômicas. Se o governo abandonasse a política do confronto, as reformas marchariam com muito maior rapidez e o Brasil ganharia com isso.

A pauta conservadora tem sido outro motivo de confronto. Os eleitores de Bolsonaro não disseram, em sua totalidade, sim ao proposto pelo então candidato, mas não ao PT, incluídos seus excessos ao forçar goela abaixo dos brasileiros o politicamente correto.  
Uma parte dos eleitores disse sim ao projeto conservador, mormente entre os evangélicos, outros disseram sim a Bolsonaro e não à visão conservadora que está sendo implementada. Liberais, do ponto de vista dos costumes, da religião e da moralidade em geral, votaram em Bolsonaro para dizer não ao PT.

Talvez o presidente devesse atentar melhor para esse fato, deixando de lado seu precoce projeto eleitoral de 2022, arregimentando desde já conservadores para o seu lado, como se as eleições fossem amanhã. O atual governo e o Brasil têm um longo percurso pela frente, e muito do seu sucesso ou fracasso dependerá da aprovação do seu projeto reformista, que será tanto mais viável quanto maior for o esforço do presidente para abandonar o confronto incessante com os adversários e as instituições.

Denis Lerrer Rosenfield, professor de filosofia - O Estado de S.Paulo

quinta-feira, 31 de maio de 2018

Breve balanço da greve dos caminhoneiros

No campo político, para o governo a tragédia é completa. 

Devemos colocar as consequências da greve dos caminhoneiros, iniciada no dia 21 de maio em todo o país, em três categorias: políticas, econômicas e eleitorais.  No campo político, para o governo a tragédia é completa. Revelou hesitação, demora, falta de coordenação e, sobretudo, falta de preparo para lidar com situações extremas. Desde que soube da possibilidade de paralisação nas estradas, ele deveria ter elaborado um plano de contingência prevendo todos os cenários possíveis e apontando as reações cabíveis a cada situação. 

Por exemplo, o governo poderia ter mobilizado aviões de grande porte para abastecer aeroportos. A Latam fez isso em Brasília.  Também poderia ter usado os aviões Hércules da FAB para levar combustível a aeroportos de menor porte para minimizaria a situação.  Caminhões de combustível deveriam ter sido escoltados desde o primeiro dia da greve e postos de gasolina poderiam ter sido ocupados por policiais para impedir tumulto. Enfim, houve amadorismo e indecisão por parte do Planalto em um momento crítico para um governo impopular que não sabe comunicar as coisas boas que faz e menos ainda as coisas ruins. Mais uma vez, os órgãos de inteligência não funcionaram direito. [além das medidas apontadas, todas excelentes e eficientes - tanto no objetivo de reduzir os efeitos nefastos da greve-locaute  quanto na dissuasão dos caminhoneiros ao ver que a ação deles poderia ser minimizada com a eficiente atuação das forças de segurança - o governo deveria ter adotado de imediato:
- ocupação por forças federais, fuzileiros navais e Exército, do Porto de Santos de modo a manter livre o fluxo de caminhões - medida de grande impacto junto aos caminhoneiros, que sentiriam a disposição do governo em neutralizar o movimento paredista;
- liberação imediata do  'rodoanel' e com isso neutralizando parte do travamento na capital paulista.
Mas, o governo ficou vacilando, com medo de usar a força que tinha e com isso transmitiu a impressão de que Temer não estava tendo o apoio necessário ma sufocação do movimento dos caminhoneiros e empresas transportadoras.
Para se ter uma ideia da 'lerdeza' do governo, só hoje, passados mais de dez dias do inicio da greve, é que o governo adota medidas ainda tímidas para liberar o porto santista.]

Tão e justificadamente atuante por conta dos desvairios da política nacional, por onde andou o Ministério Público na greve dos caminhoneiros?  Onde está a defesa do interesse da cidadania que se prejudica com a falta de comsbutível e de gás de cozinha? O que aconteceu com as vozes fortes que atacam o mundo político com razão e algum exagero ativista? Não interessa aos defensores da sociedade atuar contra empresários que praticam lockout ? O que aconteceu? Por outro lado, vale destacar a pronta atitude da AGU e do TST em declarar a ilegalidade da greve dos petroleiros. 

As repercussões econômicas são dramáticas. Nos Estados Unidos existe um cálculo que considera a seguinte fórmula: para cada dia de furacão são necessários no mínimo cinco para tudo voltar ao normal. Como a paralisação dos caminhoneiros já dura nove dias, precisaremos de 45 para que as coisas se normalizem? Talvez um pouco menos? Os prejuízos são imensos para inúmeros setores. A normalização pode até vir em 45 dias, já os prejuízos se revelarão no balanço das empresas e na queda de arrecadação de tributos.

Eleitoralmente, o grande vencedor é o pré-candidato Jair Bolsonaro (PSL), que surfou na crise com esperteza. Primeiro, apoiou os caminhoneiros e, com isso, teve seu desempenho turbinado nas redes sociais. Mais adiante, recuou e disse que a greve deveria acabar. Enfim, falou o que parte substancial do eleitorado queria ouvir em momentos distintos. 

Os grevistas estão se dispersando, mas a crise decorrente de seus protestos pode não estar no fim. Os petroleiros, por exemplo, ameaçam com uma paralisação de 72 horas esta semana que pode agravar o quadro nacional e jogar o país em mais confusão. [felizmente, os petroleiros amarelaram e suspenderam a greve política e dificilmente tentarão outra ainda este ano.]

Mesmo levando em conta que a tendência é voltarmos à normalidade de um governo enfraquecido, os riscos ainda são consideráveis.  Pela certeza de que as instituições quando não estão preparadas são sonolentas em reagir.  


Murillo de Aragão,  cientista político Blog do Noblat - Veja


 

sábado, 16 de maio de 2015

Balanço mostra que endividamento líquido da Petrobras subiu

 Apesar do aumento das dívidas, alavancagem da estatal ficou menor 
O balanço divulgado pela Petrobras nesta sexta-feira mostrou que o nível de endividamento líquido da companhia subiu, alcançando R$ 332,457 bilhões no primeiro trimestre. A empresa havia fechado o ano passado com dívida líquida de R$ 282 bilhões ou US$ 106 bilhões. Apesar do endividamento ter subido, como a geração de caixa também aumentou, a relação dívida líquida/geração de caixa saiu de 4,77 vezes para 3,86 vezes, o que é bem visto pelo mercado.

Esse indicador mostra a capacidade de pagamento de uma empresa. Analistas consideram que o limite para uma situação confortável para uma companhia é um número em torno de 3,5.  — A alavancagem sofreu redução por conta do aumento do Ebitda (geração de caixa operacional). Temos uma preocupação em buscar uma redução. Isso vai depender de iniciativas, e a mais importante delas é a discussão do plano de negócios. Há uma tendência de redução desse indicador e só teremos uma ideia disso com o novo plano de negócios — disse Ivan Monteiro, diretor financeiro da Petrobras.

Questionado sobre o impacto dos empréstimos realizados com o banco chinês China Development Bank (CDB), de US$ 3,5 bilhões, o diretor frisou que os recursos só serão desembolsados ao longo do segundo trimestre deste ano. Por isso, dizem analistas, o nível de alavancagem sofreu redução. Ivan ressaltou ainda que a companhia vai continuar com sua política de preços.  — A companhia praticará preços competitivos de mercado o tempo inteiro — enfatizou Ivan Monteiro.

quarta-feira, 22 de abril de 2015

Balanço Petrobras divulga R$ 6,19 bi de perdas com corrupção e prejuízo de R$ 21,58 bi em 2014

O resultado é praticamente o inverso ao apurado em 2013, quando a estatal teve lucro de R$ 23,6 bilhões

A Petrobras registrou prejuízo R$ 21,58 bilhões no ano de 2014, impactada por perdas de R$ 44,63 bilhões em função da desvalorização de ativos e de outros R$ 6,194 bilhões relativos a valores desviados no esquema de corrupção revelado pela Operação Lava-Jato. O resultado é praticamente o inverso ao apurado em 2013, quando a estatal teve lucro de R$ 23,6 bilhões

De acordo com o balanço auditado divulgado nesta quarta-feira, os pagamentos adicionais indevidos atingiram contratos que, no total, somaram R$ 199,6 bilhões. A baixa contábil provocada por corrupção ficou concentrada no resultado do terceiro trimestre de 2014, "em função da impraticabilidade de se determinar os efeitos específicos em cada período no passado".

O prejuízo foi calculado usando a aplicação de percentual fixo de 3% sobre o valor de contratos — número citado nos depoimentos da Lava-Jato. Para definir o período e montante de gastos adicionais, a Petrobras levantou todas as companhias citadas como membros do cartel e concluiu, com base nos depoimentos, que o período de atuação do esquema de pagamentos indevidos foi de 2004 a abril de 2012  Segundo o balanço, 55% das perdas com corrupção foram detectados na área de Abastecimento, que foi controlada por Paulo Roberto Costa, num total de R$ 3,42 bilhões. Já a área de Exploração e Produção provocou perdas de R$ 1,97 bilhão, equivalente a 32% do total. O restante do gasto com corrupção foi diluído pelas áreas de Distribuição, Internacional e Corporativo.

A petroleira informou ainda que seu balanço considera uma perda de R$ 44,63 bilhões por causa da desvalorização de ativos no período, o chamado "impairment". Deste total, R$ 30,9 bilhões foram provocados pela avaliação dos projetos do segundo trem da Refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco, e do Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj), "tendo em vista a postergação desses projetos por extenso período, motivada por medidas de preservação do caixa e problemas na cadeia de fornecedores oriundos das investigações da Operação Lava-Jato", observou a empresa. O Comperj, sozinho, representou perdas de R$ 21,833 bilhões. Já Abreu e Lima gerou perdas de R$ 9,143 bilhões.

'A gente está com sentimento de vergonha', diz presidente da Petrobras

Ao final da entrevista coletiva, na noite desta quarta-feira, na sede da empresa, o presidente da Petrobras, Aldemir Bendine, disse que a estatal foi vítima "de tudo o que ela passou". Ele afirmou que há um "sentimento de vergonha". Segundo Bendine, a companhia não espera fazer novas baixas relativas à corrupção por conta da Operação Lava-Jato. A Petrobras registrou prejuízo R$ 21,58 bilhões no ano de 2014, impactada por perdas de R$ 44,63 bilhões em função da desvalorização de ativos e de outros R$ 6,194 bilhões relativos a valores desviados no esquema de corrupção revelado pela Operação Lava-Jato. O resultado é praticamente o inverso ao apurado em 2013, quando a estatal teve lucro de R$ 23,6 bilhões. 

sábado, 7 de fevereiro de 2015

Novo presidente assume Petrobras com carta branca de Dilma para aumentar controle financeiro da estatal

Com poucas horas no cargo, Aldemir Bendine traçou um plano para blindar a estatal do maior escândalo de corrupção do país

[o plano de blindagem traçado por Bendine não merece muita confiança, já que ele não conseguiu blindar a si próprio quando foi flagrado pela Receita Federal, quando esteve envolvido em favorecimento ilicito a socialite Val Marchiori, no pagamento em dinheiro vivo de um apartamento e outras atividades, digamos, suspeitas... ]
 
Com poucas horas no cargo, o novo presidente da Petrobras, Aldemir Bendine, traçou um plano para blindar a estatal do maior escândalo de corrupção do país. São três metas, segundo o novo presidente informou a fontes ouvidas pelo GLOBO. A missão mais urgente é resolver a questão contábil, que levou a empresa a não ter seu balanço financeiro auditado pela consultoria PricewaterhouseCoopers (PwC). Bendine deve passar o fim de semana lendo 800 páginas sobre as metodologias utilizadas na empresa para começar a ter noção do trabalho que tem de ser feito. E já avisou a alguns funcionários que urgência não significa trabalho malfeito. 
 Para isso, será feita uma avaliação de perdas e alguns testes de retorno financeiros sobre vários ativos. A nova diretoria ainda pretende fortalecer a área financeira com um novo plano de negócios. O terceiro objetivo é fazer com que a petrolífera atravesse a investigação da Operação Lava-Jato com o mínimo de danos. Bendine recebeu carta branca da presidente Dilma Rousseff para fazer o que for preciso, até reformar o estatuto da Petrobras.

As tarefas mais árduas já foram repassadas a Ivan Monteiro, o novo diretor financeiro, segundo fontes do setor. O técnico era até ontem o vice-presidente de Finanças do Banco do Brasil, e subordinado a Bendine na instituição. A primeira avaliação do técnico foi que é preciso criar um processo financeiro mais confiável, como o que teria feito no BB. A primeira ação é resolver a questão do balanço, já que isso influencia diretamente na imagem da estatal no mercado financeiro. A divulgação das perdas de R$ 88 bilhões com corrupção na semana passada foi considerada uma “barbeiragem” pelo governo, que alega que a avaliação não seguiu a melhor metodologia para o cálculo. 
[muito provavelmente o que o governo diz não ter sido seguido na avaliação = melhor metodologia = seria a técnica adotada por Mantega - maquiagem das informações e que desacreditou toda e qualquer conta apresentada pelo 'amanteigado' e sua trupe.]
 
Em segundo lugar, o objetivo é fortalecer a área financeira. Para isso, Monteiro — considerado pelo mercado um dos melhores na área — deve analisar a situação de caixa e promover novas captações para resolver problemas mais urgentes. A intenção é fazer um “novo mix” nas finanças da instituição. A nova diretoria quer rediscutir papéis dentro do corpo técnico. E, depois disso, criar um novo plano de negócios, de investimentos e de capital.

A terceira missão é enfrentar a Lava-Jato, mas a avaliação do novo presidente é que a empresa tem tratado a investigação com transparência e colaborado com a PF e o Ministério Público. Antes da reunião de ontem do conselho da Petrobras, Graça Foster, que renunciou ao cargo de presidente da empresa dois dias antes, conversou com Bendine e se colocou à disposição para colaborar numa transição mais tranquila. Segundo funcionários da estatal, Graça está abalada emocionalmente com o escândalo e com a forma que a levou a sair da empresa, na renúncia coletiva da diretoria.

Bendine não participou da primeira parte da reunião do conselho da estatal e só entrou na sala após ter o nome aprovado. Enquanto o ex-ministro da Fazenda e ainda atual presidente do colegiado, Guido Mantega, conduzia a reunião que votava sua escolha, Bendine aguardava em uma sala ao lado. Segundo participantes, os acionistas minoritários se incomodaram quando souberam que o nome de Bendine havia sido veiculado pela imprensa como o novo presidente mesmo antes da votação.

Bendine foi convidado para o posto na quarta-feira, quando Dilma o chamou para uma conversa e apresentou a missão. No encontro, ela teria dado autonomia total para o executivo.

Fonte: O Globo