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domingo, 5 de julho de 2020

Augusto Nunes: Supremo é rigoroso com pequenos delitos e brando com grandes criminosos

Nesta semana, com o aval do STF, o Judiciário libertou criminosos alegando a necessidade de protegê-los da covid-19. Também nesta semana, a ministra Rosa Weber manteve preso um homem que furtou dois desodorantes. 

Para o jornalista Augusto Nunes, as decisões reiteram as incoerências que se manifestam com frequência no Supremo. "Muitos ministros tratam autores de delitos insignificantes com rigor que se transforma em brandura quando julgam envolvidos em roubalheiras bilionárias", analisa. Assista ao comentário.

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Por Augusto Nunes - 4 Jul 2020, 17h53

domingo, 13 de março de 2016

Mito: “impeachment é golpe”

Não é de hoje que presidentes apelam para a ideia de golpe ao se defenderem do processo de impeachment. 

A surpresa é ver jornalistas de grandes portais reproduzindo essa bobagem

Não. Impeachment é impeachment. Golpe é golpe.

Golpistas fecham o Congresso e perseguem deputados. O impeachment é decidido pelos deputados. Golpistas atropelam a Constituição. O impeachment é previsto na Constituição e está sendo conduzido com o aval do STF, a nossa suprema corte.

Golpistas costumam reprimir protestos de rua. O impeachment de Dilma, como o de Collor, se fundamenta em protestos de rua. “Mas Dilma foi eleita democraticamente”. Fernando Collor também. Bill Clinton também. Para um sujeito sofrer um processo de impeachment, precisa ocupar um cargo público, o que geralmente ocorre depois de ter sido eleito democraticamente, oras.

Golpes resultam na posse de generais, líderes que não passaram pelo processo eleitoral. Se o impeachment de Dilma sair, quem assumirá será o seu vice, em quem votaram muitos petistas para quem “impeachment é golpe”.  “O impeachment desrespeita a vontade popular”, dizem. Mas peraí: deputados e senadores que decidirão o futuro de Dilma também foram eleitos democraticamente – e costumam ser chamados de “representantes da vontade popular”. Está aí justamente uma das dificuldades de afastar a presidente. Os cidadãos que elegeram Dilma, como é de se esperar, também votaram num bom número de deputados que a defendem. Essa dificuldade é parte do jogo democrático.

O PT e os jornalistas que prestam uma informal assessoria de imprensa ao governo também se colocam do lado da democracia e da ordem institucional. O jornalista Mario Magalhães, por exemplo, parece ter se inspirado num comunicado oficial do partido ao afirmar, em sua página do UOL, que “a deposição de Dilma representaria um mastodôntico retrocesso institucional”.

Não, a deposição de Dilma preservaria as instituições ameaçadas pela aliança entre políticos e grandes empresas. Se o governo Dilma sair impune e se todas as acusações de fraude eleitoral, propinas e pedaladas fiscais virarem pizza, daí, sim, teremos um “mastodôntico retrocesso institucional”. O próximo presidente terá mais liberdade para esculhambar as contas públicas se o governo atual não sofrer punições.

Não é de hoje que os presidentes apelam para a ideia de golpe ao se defenderem do processo de impeachment. Fernando Collor fez igual. A surpresa é ver jornalistas de grandes portais reproduzindo essa bobagem.

Fonte: Leandro Narloch  @lnarloch