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quinta-feira, 31 de agosto de 2017

Falta mais do que dinheiro

As leis, a mentalidade política e a cultura nacional querem do Estado muito mais do que ele pode fornecer

A história das contas do governo federal tem o seguinte enredo:
— por norma constitucional, a despesa de um ano tem que ser igual à despesa do ano anterior mais a inflação;
— na vida real, e por determinação também constitucional, as despesas com previdência, pessoal e benefícios crescem bem acima da inflação todos os anos;
— logo, para que a despesa total permaneça estável, é preciso cortar os gastos com custeio e investimento;
— logo, falta dinheiro para o governo tocar os serviços públicos de educação, saúde, segurança etc.


Claro que a primeira resposta para essa situação está na reforma previdenciária, de longe o maior gasto e o maior déficit, que cresce todos os anos.  Mas ainda que se faça essa reforma, o que é muito difícil, não vai sobrar dinheiro para o resto do Orçamento. Primeiro, porque o gasto previdenciário já atingiu um nível muito elevado — mais de 50% do total das despesas. Nenhuma reforma reduzirá esse gasto. Poderá apenas, sendo bem-sucedida, diminuir a velocidade de expansão do déficit. Logo, continuará muito apertado o orçamento de todas as demais áreas do governo. O que nos leva à necessidade de outras duas reformas, uma para conter a folha de salários do funcionalismo, outra para reduzir o generoso pagamento de benefícios diretos.  Mas, de novo, esses gastos já atingiram níveis elevados. Também não podem ser reduzidos, mas apenas contida sua expansão.

E mesmo que se consiga isso — reparem, já são três reformas muito difíceis não vai sobrar dinheiro para o setor público naquela que é sua função principal, a de prestar serviço aos cidadãos.  A razão é óbvia — ou deveria ser. E é a seguinte: as leis, a mentalidade política e a cultura nacional querem do Estado muito mais do que ele pode fornecer.

Como se financia o Estado? Com impostos e com a tomada de empréstimo. Já fizemos isso. A carga tributária é muito elevada, não cabe no bolso dos contribuintes. E a dívida pública cresce todos os anos, aproximando-se perigosamente do nível em que será insustentável. O governo tem ainda uma última arma — destruidora — que é emitir dinheiro. Resolve por um instante e gera uma baita inflação.  Tudo isso para tentar mostrar que é preciso reduzir o tamanho do Estado.

Está uma choradeira em tudo que é repartição pública. Compreensível. Está sempre faltando alguma coisa, de gasolina para a polícia a rancho para os soldados. Reação automática do pessoal: pedir mais dinheiro para Brasília.  Tem uma turma que vai ao limite do ridículo: é contra as reformas, contra mais impostos e a favor do aumento de gastos e investimentos. A dívida pública? Não tem problema, é só deixar de pagar aos especuladores, alegam.

Mas mesmo tirante essa turma, fica muita gente bem intencionada que não percebeu a raiz do problema: o Estado terá que fazer mais com menos, prestar menos serviços para menos pessoas e, finalmente, buscar recursos no setor privado.  Vamos falar francamente: não faz sentido dar universidade de graça para quem pode pagar. Idem para o atendimento médico.  Diz a Constituição que todo brasileiro tem direito a ser atendido de graça e com o melhor tratamento disponível. Não tem dinheiro para isso. Logo, é preciso fazer uma fila e definir quem pode e quem não pode receber este ou aquele tratamento. [o grande mal do Brasil é que a tal 'constituição cidadã' do falecido deputado Ulysses Cavalcanti foi pródiga em conceder direitos e ranzinza em impor deveres.
- Concede a todos tratamento de saúde dos países nórdicos, esquecendo de prover recursos para atender tal liberalidade;
- permite uma porção de bolsas, incluindo bolsa auxílio reclusão para familiares de bandidos presos e proíbe pena de morte, prisão perpétua e prisão com trabalhos forçados;
- obriga o ensino gratuito até os 14 anos mas determina que um bandido com idade de 17 anos, 11 meses e 29 dias, seja preso = é apreendido por no máximo 3 anos;

- diz que todos são iguais, mas, permite o absurdo e nefasto sistema de cotas, que extingue qualquer valor ao mérito. 
Existem dezenas de outros absurdos, mas é enfadonho citá-los.
A tal 'constituição cidadã' tem que ser reformada de cabo a rabo - incluindo a extinção do artigo que cria as malfadadas CLÁUSULAS PÉTREAS.
Essa reforma tem que ser realizada e não sendo por bem, será por um Ato Institucional.]

Dizem: isso é uma violação do princípio do atendimento universal. Mas esse princípio é violado todos os dias e da maneira mais selvagem: fila no pronto-socorro, gente morrendo no corredor do hospital ou aguardando meses para o tratamento de um câncer.  A lei não organiza a fila. Fica por conta do coitado do plantonista da emergência. Não faz sentido que as universidades e os centros de pesquisa não vendam serviços para empresas e outras instituições privadas. As universidades aqui não conseguem nem receber doações. Já em países onde estão algumas das melhores escolas do mundo, as universidades vivem basicamente de doações e venda de serviços. Incluindo a cobrança de anuidades, combinando com o fornecimento de bolsas.

Desculpem se estamos piorando o cenário, mas é isso mesmo. Não bastarão as reformas da Previdência e do funcionalismo. Precisamos de um mudança cultural: entender que o Estado brasileiro atual não cabe no país. Tem que ser menor e melhor.

Fonte: Carlos Alberto Sardenberg, jornalista

domingo, 15 de janeiro de 2017

Auxilio reclusão corre risco de ser extinto - nunca deveria ter sido criado

Benefício concedido a 48 mil famílias de presos de baixa renda corre risco

[o cidadão de BEM, o trabalhador perde o emprego e recebe por alguns meses - quando recebe - o auxílio desemprego; já a família do bandido recebe enquanto este estiver preso um continuado auxílio-reclusão, que só cessa quando o bandido é solto. 

Conclusão: os filhos menores do trabalhador desempregado, que só recebe o auxílio desemprego por algum tempo, logo vão torcer para que o pai mate alguém, pratique um latrocínio, para ser preso e garantir a subsistência da família.

Lembrete: quanto mais grave o crime, maior o tempo de prisão o que torna o tempo de recebimento do auxílio-reclusão maior.]

Apesar de ser econômico o argumento para cortar o auxílio-reclusão, especialistas dizem que o impacto no orçamento é pequeno 

Enquanto a crise do sistema penitenciário tornou-se foco de debates diante da morte de mais de 90 detentos em presídios do Amazonas e Roraima, do lado de fora das grades, está em xeque um benefício responsável pelo sustento de quase 48 mil parentes de presos de baixa renda. O governo propôs o endurecimento do acesso ao chamado auxílio-reclusão, instituindo carência de 18 meses para consegui-lo, além de reduzir em 30% o valor repassado. As sugestões constam do Projeto de Lei nº 6.427, de iniciativa do Executivo, enviado ao Congresso Nacional em novembro. Têm direito ao auxílio-reclusão os dependentes de presos em regime fechado ou semiaberto, contribuintes do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), com o salário máximo de R$ 1,2 mil. A média de pagamentos do benefício é de R$ 931,75 por mês. [um salário-mínimo na moleza, sem precisar ralar, apenas torcer para que o marido em lugar de ter cometido dois assaltos, tenha cometido três, sendo um deles um latrocínio.]

O valor mínimo do auxílio é de um salário mínimo e o teto, de R$ 1,2 mil por mês. Apesar de a proposta integrar o ajuste fiscal do governo, o corte do auxílio não teria grande impacto sobre o orçamento, apontam especialistas. O benefício atende menos de oito em cada 100 detentos, e demora até ser concedido. Dos 622 mil presos, menos de 48 mil recebem o benefício, segundo dados do Sistema Integrado de Informações Penitenciárias (Infopen), do Ministério da Justiça. Apenas 7,6% da população carcerária se enquadra nas regras para requerê-lo. No Distrito Federal, o percentual é ainda menor: 2,7%. Diante do debate gerado pelo massacre nos presídios de Manaus (AM) e Boa Vista (RR), são grandes as chances de iniciativas no sentido de endurecer o benefício, atualmente paradas, voltarem à pauta legislativa, aproveitando a alta rejeição por parte da sociedade.

Menos radical que o proposto pelo governo, o PL nº 3.942, sugerido pelo deputado Ricardo Barros (PP-PR) em dezembro de 2015, propõe diminuir o tempo de concessão do benefício para, no máximo, cinco meses, como forma de cortar custos do orçamento. O apelo orçamentário, no entanto, não se sustenta, na opinião do professor de direito penal André Mendes, da Fundação Getulio Vargas (FGV). “O auxílio-reclusão é um dos que menos oneram no Brasil”, afirma. Nos últimos 12 meses terminados em outubro, o governo gastou quase R$ 570 milhões com o benefício. O valor equivale a apenas 0,1% das despesas da Previdência Social, que ultrapassaram R$ 494 bilhões no mesmo período. Essa seria a economia máxima que o governo faria, caso cortasse o auxílio por inteiro, como sugeriu a ex-deputada Antônia Lúcia (PSC-AC) em 2013, por meio da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) nº 304, de 2013.


A aprovação do PL nº 6.427, proposto pelo Executivo, geraria uma economia de R$ 170 milhões por ano considerando o número atual de beneficiários.A parcela é tão pequena que questiono a representatividade desse corte em termos de orçamento”, avalia a especialista em direito penal Maíra Zapater. Comparativamente, os gastos com auxílio-doença, auxílio que mais onera a Previdência, foram de R$ 2 bilhões somente em outubro do ano passado – quatro vezes superior aos custos do auxílio-reclusão por ano. [ninguém adoece por querer; já crimes são cometidos por opção do bandido.]

Fonte: Correio Braziliense

[um exemplo do absurdo que é o auxílio-reclusão: vamos considerar a profissão de gari, por exercer trabalho penoso e insalubre, para ganhar pouco mais de um salário mínimo mensal; 

se o gari, optar por cometer um crime - tipo assalto - pega alguns anos de cadeia e durante este tempo tem alimentação garantida pelo Estado (alimentação de qualidade superior a que conseguiria comprar com o salário) a família recebe o auxílio-reclusão para sustentar uma boca a menos (o gari foi 'adotado' temporariamente pelo Estado).

Já ficou claro que a situação da Gari e família melhorou financeiramente e ainda tem os saidões, visitas íntimas, etc.

CONCLUSÃO: O AUXÍLIO RECLUSÃO  TEM QUE ACABAR.]