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segunda-feira, 4 de janeiro de 2016

O fim do princípio

Começa a desmoronar um projeto de hegemonia latino-americana inspirado nas diretrizes do Fórum de São Paulo

“Este não é o fim; não é o princípio do fim; mas, talvez, o fim do princípio”. Assim se referiu Winston Churchill em novembro de 1942 à vitória sobre o Exército alemão comandado pelo general Erwin Rommel na Batalha de El Alamein, no Egito. De fato, essa vitória foi uma inflexão na trajetória da guerra, que até então vinha sendo marcada por uma série de derrotas britânicas.

A figura retórica de Churchill se aplica à recente vitória eleitoral sobre o populismo autoritário que obteve o partido de oposição liderado por Mauricio Macri. Esse partido é novo, no sentido de que difere das forças políticas tradicionais da Argentina: o peronismo e o radicalismo. O repúdio ao modelo imposto durante 12 anos por Néstor e Cristina Kirchner representa um retrocesso para o projeto regional coordenado pelos dirigentes de Argentina, Brasil e Venezuela. Os aglutinadores do projeto eram as afinidades ideológicas dos respectivos partidos de governo e os custosos negócios celebrados entre empresas estatais dos três países. Se a justificativa econômica e social desses negócios era pouco clara, a rentabilidade resultante para seus promotores era formidável.

Cristina Kirchner, cuja fortuna familiar se multiplicou durante sua passagem pelo governo, deixa a seu sucessor um legado de enfraquecimento institucional e uma bomba-relógio macroeconômica. Seu ministro da Economia, Axel Kicillof, poderia fazer parte do governo da Coreia do Norte. Atribuía o fracasso da planificação central na União Soviética à ausência do programa Excel. Justificava acabar com as pesquisas sobre a incidência de pobreza para não estigmatizar os pobres. O novo governo terá que corrigir o enorme déficit fiscal, a inflação oculta e as demais distorções econômicas herdadas, enquanto enfrenta a oposição do kirchnerismo por fazer o ajuste necessário. Esta irresponsabilidade corresponde ao comportamento peronista que tanto dano fez à Argentina: “Ou governamos nós, ou não deixamos governar”.

No dia 6 de dezembro, o povo venezuelano expressou seu veredicto acerca do socialismo do século XXI nas eleições para a Assembleia Legislativa. O descalabro eleitoral que sofreu o governo é um voto de desconfiança num manejo que produziu destruição econômica, pobreza e repressão. O regime de Nicolás Maduro atraiu para si o repúdio internacional pela violação sistemática dos direitos humanos. Sua atuação depois das eleições sugere que se aproxima de uma fase terminal.

Em ritmos diferentes, em países diferentes, começa a desmoronar um projeto de hegemonia latino-americana inspirado nas diretrizes do Foro de São Paulo. A magnitude da transformação que se inicia no cenário geopolítico regional é ilustrada pela frase pronunciada pelo presidente da Argentina, Mauricio Macri, na Cúpula do Mercosul, que aconteceu recentemente em Assunção. É a frase que deve se converter no clamor da comunidade democrática no ano de 2016: “Liberdade para os presos políticos na Venezuela”.

Por: Rodrigo Botero Montoya é economista e foi ministro da Fazenda da Colômbia